quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Biblioteca do Administrador

Contribuição do Professor, Consultor e Conferencista Jerônimo Lima, indicando como separar o joio do trigo na literatura de negócios. Segue texto na íntegra:


A BIBLIOTECA DO ADMINISTRADOR
Como separar o joio do trigo na literatura de negócios e selecionar o que realmente vale a pena


Nas últimas décadas, assistimos uma proliferação de livros de Administração, provocada pelo deslumbramento de empresários e executivos com o tema. Nas livrarias, há um número jamais visto de livros de negócios, sendo que muitos deles viram best-sellers. Evidentemente, os profissionais interessados estão buscando respostas na literatura para melhorar o seu desempenho.

Segundo a ASTD – American Society for Training and Development (http://www.astd.org/), só nos EUA, 5 mil novos títulos de negócios chegam ao mercado todo ano e movimentam mais de US$ 1,5 bilhão – sem contabilizar as cifras de cursos, vídeos de treinamento, seminários, audiobooks eprojetos de consultoria.

Existem três razões para esse fenômeno editorial. A primeira: empresários e executivos são extremamente receptivos aos livros de negócios, especialmente os que apregoam “receitas práticas de sucesso”. A segunda razão aponta para a disputa ferrenha de consultores por visibilidade, o que os leva a escrever livros para mostrar ao mercado seus métodos e filosofias de trabalho. O terceiro motivo indica que os best-sellers transmitem mensagens positivas ao mercado ávido por fórmulas fáceis para a solução dos problemas organizacionais.

Ao pesquisar sobre alguns best-sellers e websites, em meio à enorme quantidade de publicações nessa área, deparei-me com questões críticas que penso ser fonte de preocupação detodos os gestores: quais são, de fato, as obras de referência que indicam o estado da arte da gestão empresarial, atualmente? Como separar o joio do trigo?

Penso que uma boa biblioteca de Administração deve iniciar a partir de uma perspectiva de temas mais abrangentes como ética corporativa, globalização, marketing, benchmarking, estratégia e liderança, principalmente. Ler os clássicos dessas áreas nos permite sintetizar os tons e osteores de seus expoentes. Desse modo, podemos discutir e argumentar com seletividade sobre a melhor teoria para as empresas. Além disso, é um bom método para nos manter bem informados sobre os méritos e as deficiências de cada proposta, evitando a armadilha dos modismos da "Administração Instantânea".

Atualmente, dois tipos de mensagens são relevantes para a aprendizagem em Administração. De um lado estão os acadêmicos organizacionais que oferecem teorias valiosas eobservações empiriológicas rigorosas de organizações em ação. De outro, os consultores eadministradores profissionais que trazem perspectivas de suas vidas na "linha de fogo" e, portanto,são essencialmente pragmáticas.

Quando vou às livrarias e converso com os leitores de livros de negócios, noto que, em sua busca por "receitas de bolo", muitos deles adotam uma série de conceitos que foi largamente anunciada, freqüentemente implementada e, algumas vezes, abandonada ou substituída pela próxima técnica de gestão emergente. Como conseqüência dessa tendência de abraçar idéias e,logo após, descartá-las, muitas dessas práticas gerenciais viáveis ganham uma imagem embaçada.

Essa demanda por band-aids gera um próspero mercado para idéias novas, renascidas ou revitalizadas. Os autores nos incentivam a ler e refletir seriamente sobre a probabilidade de seencontrar um remédio paliativo, pois a maioria dos problemas organizacionais não pode ser resolvida com uma abordagem única.

Por isso, para separar o joio do trigo, sugiro que sejam considerados os seguintes critérios para a seleção do que comprar para formar sua Biblioteca do Administrador:

• Avalie as credenciais do autor a partir de suas experiências profissionais relevantes, da visão ou perspectiva singular que ele apresenta e das práticas de pesquisa científicas que foram utilizadas para obter os resultados apresentados no livro;

• Qual o nível de integração de saberes do livro com todo o conhecimento de gestão já produzido? O autor demonstra domínio do conhecimento existente e faz uso dele?

• O livro apresenta exemplos pertinentes e práticos que revelam que suas idéias realmente podem ser aplicadas? O autor fornece provas substantivas de que suas idéias produzem, de fato,um resultado válido?

• Até que ponto as conclusões do autor convergem com outras fontes de informação ou métodos de pesquisa, dando confiabilidade ao conteúdo do livro?

• O livro tem uma abordagem realmente nova, criativa e diferenciada?

• As idéias do livro têm aplicação prática em sua empresa ou são limitadas a um contexto em que só o autor opera? As idéias são adaptáveis e há sugestões de aplicações?

• Consulte as publicações especializadas como a Consulting Magazine(www.consultingmag.com) e a Consulting to Management Magazine (www.c2m.com) para obter opiniões informadas e críticas a respeito das novas teorias de administração, seus componentes e a literatura associada.

Tomar esses cuidados na hora das decisões de compra de livros de Administração torna o raciocínio mais crítico e o consumo mais cauteloso. Ponto de partida para formar uma relevante biblioteca de negócios.


EM BUSCA DO SABER PROFUNDO

Para aprofundar seus conhecimentos nos temas abordados nesse artigo, sugiro uma pesquisa às seguintes fontes de referência:
A Estante do Administrador, de Jon L. Pierce e John W. Newstrom, ed. Bookman.

Os Filósofos do Capitalismo, de Andrea Gabor, ed. Campus.

Os Deuses da Administração, de Charles Handy, ed. Saraiva.

Os Bruxos da Administração, de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ed. Campus.

O Guia dos Gurus (2 vol.), de Jimmie Boyett e Joseph Boyett, ed. Campus.Business

The Ultimate Resource, de Jonathan Glasspool, Bloomsbury Business Press.

Jerônimo Lima é Consultor em Gestão Estratégica e Gestão do Conhecimento e Conferencista.

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